As checagens realizadas após o debate presidencial de domingo (18), na Band, identificaram mais afirmações falsas, enganosas ou
distorcidas de Flávio Bolsonaro (PL-RJ) do que do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) entre as declarações selecionadas pelas principais equipes de verificação do país. Levantamentos da Agência Lupa, Aos Fatos, UOL Confere e Estadão Verifica contestaram acusações feitas pelo senador sobre criminalidade, corrupção, gastos públicos e políticas do governo federal.

Flávio Bolsonaro © Reprodução/iclnoticias.com.br/
Levantamentos da Lupa, Aos Fatos, UOL e Estadão identificaram declarações falsas e distorcidas dos candidatos sobre segurança, economia, INSS e corrupção |
As verificações também identificaram erros de Lula, principalmente sobre indicadores econômicos e o patrimônio do adversário. Os levantamentos utilizaram critérios próprios, mas registraram diferenças na quantidade de declarações problemáticas atribuídas aos candidatos.
O ICL Notícias reuniu os resultados das quatro equipes. As contagens abaixo consideram os vereditos publicados e distinguem afirmações classificadas como falsas daquelas consideradas enganosas, exageradas, incompletas ou sem comprovação.
O que apontaram as agências de checagem
• Agência Lupa: oito declarações de Flávio foram classificadas como falsas, contra duas de Lula. Considerando também exageros, falta de contexto e alegações insustentáveis, foram 19 declarações problemáticas do senador e sete do presidente;
• UOL Confere: contestou dez declarações de Flávio, sendo três falsas, cinco enganosas, uma exagerada e uma insustentável. Entre as falas de Lula, identificou cinco problemas: uma falsa, uma enganosa e três exageradas;
• Estadão Verifica: contestou 13 declarações de Flávio, sendo duas falsas, cinco enganosas, cinco sem contexto e uma exagerada. Entre as cinco declarações contestadas de Lula, duas foram consideradas enganosas, duas exageradas e uma imprecisa;
• Aos Fatos: publicou 26 registros de checagem sobre Flávio, dos quais 24 apresentaram correções, ressalvas ou contextualizações e dois confirmaram as informações. Entre os 23 registros sobre Lula, quatro receberam correções ou ressalvas, enquanto 19 confirmaram as afirmações ou seus elementos centrais.
Os números correspondem às declarações selecionadas pelas equipes, não à totalidade das falas do debate. Também não podem ser somados, porque algumas afirmações foram verificadas por mais de uma agência e os critérios de classificação são diferentes.
Criminalidade e gastos públicos concentraram falsidades
Entre as declarações mais contestadas de Flávio estão as acusações sobre a segurança pública. O senador afirmou que a criminalidade havia explodido no governo Lula, mas as verificações da Lupa e do Aos Fatos apontaram que a generalização não corresponde aos indicadores disponíveis, que registraram redução em diferentes modalidades de crime.
Flávio também atribuiu ao presidente a iniciativa de recorrer à Justiça para restabelecer as chamadas saidinhas de presos. A Lupa classificou a afirmação como falsa, esclarecendo que a ação mencionada foi apresentada pela Associação Nacional da Advocacia Criminal, e não pelo governo federal.
Outra declaração contestada foi a de que 73% dos presidiários teriam votado em Lula. O Aos Fatos identificou distorção no uso do dado, que não permite concluir que essa proporção corresponda à população carcerária brasileira.
As despesas com viagens também foram utilizadas pelo senador para atacar o presidente. Flávio afirmou que Lula e a primeira-dama Janja haviam gastado R$ 7 bilhões, mas as verificações mostraram que o montante citado abrange despesas de diferentes órgãos federais, não apenas viagens pessoais do casal.
Na economia, o senador afirmou que o governo Lula registrou recorde de fechamento de empresas. A declaração foi classificada como falsa pelo Aos Fatos.
INSS, Vorcaro e acusações sem comprovação
O debate também foi marcado por acusações envolvendo as fraudes em descontos de aposentadorias e pensões do INSS e as investigações relacionadas ao Banco Master.
Flávio afirmou que Antonio Carlos Camilo Antunes, conhecido como Careca do INSS, teria integrado o governo Lula. A informação foi classificada como falsa pelo Aos Fatos.
O senador também negou manter escritório com Antunes. A checagem contestou a declaração a partir de informações sobre o compartilhamento de endereço entre empresas relacionadas aos dois. Esse vínculo de endereço, isoladamente, não demonstra a existência de uma sociedade empresarial.
Outra afirmação contestada foi a de que apenas parlamentares do PT teriam apresentado emendas para flexibilizar regras de controle dos descontos associativos em benefícios previdenciários. O Aos Fatos verificou que a atuação parlamentar não se restringiu ao partido.
Flávio ainda apresentou acusações envolvendo o banqueiro Daniel Vorcaro, incluindo a alegação de um suposto pagamento de R$ 30 milhões ao Instituto Lula. O UOL Confere considerou insustentável a acusação baseada em um áudio atribuído ao empresário, cuja autenticidade não foi demonstrada.
A Polícia Federal, a Procuradoria-Geral da República e a defesa do banqueiro negaram a existência do depoimento mencionado pelo senador.
Projeto sobre munições e acusações contra Lula
Outro episódio que apareceu nas verificações envolveu a atuação de Flávio no Senado.
Questionado sobre uma proposta de retirada da identificação de munições utilizadas pelas forças de segurança, o senador omitiu que havia defendido a medida durante discussão legislativa. O Aos Fatos confirmou o histórico parlamentar mencionado por Lula no debate.
A rastreabilidade de munições pode ser relevante para investigações criminais, pois permite identificar lotes e reconstruir a circulação de materiais utilizados em ocorrências policiais e crimes.
As agências também contestaram afirmações de Flávio sobre a atuação internacional do governo Lula. Entre elas, a acusação de que o presidente teria viajado aos Estados Unidos para defender organizações criminosas e a declaração de que o governo brasileiro não teria adotado medidas contra o tarifaço americano. O Aos Fatos classificou ambas como falsas.
Por Cleber Lourenço