 Celso Lacerda © Celso Lacerda/Arquivo pessoal |
A semente rompe a terra, nasce em planta, floresce, e das flores brotam frutos; dentro de cada fruto, repousam sementes que renascem, seguindo o ciclo constante da natureza, que acolhe as amorosas metamorfoses da vida. Esse movimento nos leva a pensar na família, esse fenômeno natural que surge da necessidade humana de cultivar relações de afeto duradouras e firmes.
Percebe-se que o vínculo chamado família tem um poder grandioso na história da vida. É nela que a existência de cada um encontra o primeiro sopro, e é nela também que o amor deve assentar suas raízes, destinado a perdurar sem fim.
No seio familiar ganham sentido os gestos, as palavras, os conselhos e os abraços fraternos. São eles que ofertam encorajamento, força e paz, permitindo que cada integrante siga em frente na busca do que almeja e deseja. A valorização desses laços precisa permanecer entre todos, mesmo diante de momentos árduos e improváveis, quando a compreensão deve florescer e a compaixão se fazer presente. Família e lar estão tão entrelaçados que o lar se torna como a copa de uma rosa: nele brota o mel, à espera das borboletas e dos beija-flores, que, em sua visita, espalham amor.
Ainda assim, nesse jardim chamado família, há espaço para todos, mesmo diante da incompreensão de alguns de seus membros. Afinal, as pessoas diferem em sua maneira de ser e de enxergar o mundo.
Há quem veja o mundo em sua grandeza, e há quem o reduza a um pequeno espaço, trancado a chave e cadeado, afastando-se dos outros e afastando os outros de si. Muitas vezes, nesse isolamento, chega a desrespeitar até mesmo um amor sincero, nascido do coração. Cria, assim, um universo fechado, solitário, que acolhe apenas quem lhe convém. Por orgulho ou vaidade, alimenta uma enfermidade da alma.
A vida, porém, nos sinaliza tantas coisas belas, e devemos permanecer de braços dados uns com os outros — sem limites. Infelizmente, o que se vê em algumas pessoas é que, quando gostam, tudo é aceito; mas, quando não gostam, oferecem o desprezo, muitas vezes transformado no estopim de guerras silenciosas.
Por Celso Lacerda, membro da ABL/Barreiras (BA)
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