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Falso Relacionamento: Amor em Aparência

06 de setembro de 2026 às 10:41

pauta livre/pauta literária

Celso Lacerda © Celso Lacerda/Arquivo pessoal
Coisas da vida...
 
Tenho visto — e sentido — amores que não se entregam, apenas se desfazem em silêncio.
 
Casais que convivem num cinismo morno, adormecido no tempo.
E, para quem olha de fora, tudo parece inteiro.
 
Mas há quem, mesmo assim, ainda chame o outro de “meu bem”.
 
Como se o hábito não fosse prisão.
 
O acostumar aprisiona a alma.
 
Os dias passam — rápidos como estrela perdida, rasgando o espaço até sumir no imaginário.
 
E, nesse conviver, o que antes era laço, já não sustenta.
 
A saudade — que colava o amar — evaporou.
 
Perdeu-se no vento, mergulhou no esquecimento.
 
Restam metades: meio sorriso, meio abraço, meia atenção... E disso nasce um silêncio inteiro.
 
Ainda assim, há quem enfeite a ausência: sorrisos ensaiados, bondades de vitrine, um amor exposto para os olhos de fora.
 
Vivem para a plateia — além do jardim, do portão, da casa — onde tudo parece belo.
 
“Meu marido.”
 
“Minha mulher.”
 
Palavras ditas com calor, mas vazias de vida.
 
Como se o amor fosse objeto de prateleira.
 
E a falsidade, então, brilha — mas não ilumina. Talvez amar seja isso: responder a si mesmo, sem se perder no outro.
 
Cuidar, respeitar, e deixar que o amor viva enquanto ainda respira. Mas não se curvar ao que fere em silêncio.
 
Porque há dores que, sem pedir licença, apagam no espelho da cumplicidade o verdadeiro rosto do sorriso.
 
E quem ama de verdade segue — em busca do horizonte, onde o amar não conhece limites.
 
Por Celso Lacerda, membro da ABL/Barreiras (BA)
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