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No momento de seu lançamento, o livro esteve disponível apenas para compra, em uma iniciativa da pesquisadora de destinar integralmente os recursos arrecadados à
Escola Nacional Florestan Fernandes, vinculada ao Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra. A doação foi realizada em março de 2026, durante visita à escola, localizada em Guararema (SP). Com a ação concluída, a publicação passa agora a ser acessível em formato digital aberto ao público.
A obra se propõe a analisar criticamente o papel do agronegócio na reorganização do território brasileiro nas últimas décadas. Entre seus principais objetivos, destaca-se a desconstrução de mitos amplamente difundidos sobre o setor, como sua suposta capacidade de erradicar a fome ou de operar de forma ambientalmente sustentável, evidenciando as contradições entre crescimento econômico, concentração de renda e aprofundamento das desigualdades sociais.
A partir de uma abordagem ancorada na geografia crítica e fortemente influenciada pelo pensamento de Milton Santos, Denise Elias argumenta que o agronegócio globalizado atua como um dos principais vetores de reestruturação do espaço brasileiro desde os anos 1970. Esse processo, segundo a autora, ocorre de maneira seletiva e concentradora, promovendo a intensificação da urbanização, a formação de regiões produtivas especializadas e o agravamento das desigualdades socioespaciais no campo e nas cidades.
O livro também chama atenção para a dimensão ideológica do setor, ao tratar da construção de uma “fábula do agronegócio”, sustentada por discursos midiáticos e institucionais que ocultam seus impactos sociais, ambientais e territoriais. Nessa perspectiva, a análise articula economia política, urbanização e dinâmica regional, evidenciando como o avanço do agronegócio está associado tanto à financeirização da economia quanto à expansão de novas formas de controle sobre a terra e os recursos naturais.
Ao longo dos capítulos, a autora explora ainda conceitos como “regiões produtivas do agronegócio” e “cidades do agronegócio”, destacando o papel dessas formações na reconfiguração urbano-regional do país. Ao mesmo tempo, aponta para os conflitos e resistências que emergem nesses territórios, especialmente por parte de populações camponesas, povos tradicionais e movimentos sociais.