 Celso Lacerda © Celso Lacerda/Arquivo pessoal |
O corpo, por si só, é algo sem vida, matéria inanimada, sem brilho, perdida.
Mas, ao receber o sopro da vida, a alma se encarrega de iluminar o corpo inerte que antes vagava como massa e toma os movimentos: os olhos saltam do rosto na busca do clarão que encandeia; o sorriso sai dos lábios e beija o mundo.
Daí, a beleza nasce e encanta olhares que, como véu fino e transparente, baila ao vento e vai, como flecha, acolher-se em corações apaixonados.
Mas, se não me encaixo no seu padrão de beleza, ao menos permita-se tocar a minha alma; ela é bonita, infinita.
Não me julgue!
Julgar é magoar a ferida que não é sua; é colocar pedras no estilingue e acertar a visão do outro; é machucar a pele lisa, sem proteção; é fazer a alma lacrimejar no corpo.
Enfim, julgar alguém é olhar-se num espelho turvo, bordado de nuvens embaçadas.
Quem se deleita nisso abandona a própria essência e se esconde de si mesmo, tornando-se prisioneiro da própria sombra.
Por Celso Lacerda, membro da ABL/Barreiras (BA)
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