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O beija-flor e a rosa

31 de julho de 2026 às 17:08

pauta livre/pauta literária

© Celso Lacerda/Arquivo pessoal
No jardim, o clarão do sol despertava.

Amanhecia...

O vento frio acariciava a planta molhada,

que, com gotículas de orvalho, ainda adormecia.

A borboleta solitária bailava suavemente no ar.

Faltava algo ao jardim para completá-lo.

Alguém perguntou: — Cadê a rosa?

O silêncio ficou ainda mais quieto.

Será que o jardineiro aprisionara seu coração no canteiro do amor?

O beija-flor sentiu sua falta.

Pulou nos galhos da roseira e encontrou o botão da flor, que ainda se espreguiçava
num sono profundo de amor.

O beija-flor buscou o aroma, bicou até mesmo a margarida, mas não encontrou.

Suspirou!

E, sem guarida, cambaleou por outros jardins, saboreou o néctar de outras flores, mas deixou uma lágrima perdida, misturada de saudade e dor.

Enfim, a rosa desabrochou...

Mais rosa do que antes, cheia de sentimento.

Suas pétalas eram cabelos cacheados, cheirosos, soltos ao vento.

Os espinhos pontiagudos, enfileirados, curvavam-se ao seu encanto, à sua magia e, com cumplicidade, a protegiam.

E o beija-flor?

Voou, voou...

Voltou à procura da rosa!

Enamorou-se, acariciou seu amor, arrepiou-se, deleitando-se no doce mel e no perfume da flor!

Cantou! E, cheio de fantasia, empinou o peito, sacudiu as asas, beijou a rosa e encheu-se de poesia.
 
Por Celso Lacerda, membro da ABL/Barreiras (BA)
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