 © Celso Lacerda/Arquivo pessoal |
No jardim, o clarão do sol despertava.
Amanhecia...
O vento frio acariciava a planta molhada,
que, com gotículas de orvalho, ainda adormecia.
A borboleta solitária bailava suavemente no ar.
Faltava algo ao jardim para completá-lo.
Alguém perguntou: — Cadê a rosa?
O silêncio ficou ainda mais quieto.
Será que o jardineiro aprisionara seu coração no canteiro do amor?
O beija-flor sentiu sua falta.
Pulou nos galhos da roseira e encontrou o botão da flor, que ainda se espreguiçava
num sono profundo de amor.
O beija-flor buscou o aroma, bicou até mesmo a margarida, mas não encontrou.
Suspirou!
E, sem guarida, cambaleou por outros jardins, saboreou o néctar de outras flores, mas deixou uma lágrima perdida, misturada de saudade e dor.
Enfim, a rosa desabrochou...
Mais rosa do que antes, cheia de sentimento.
Suas pétalas eram cabelos cacheados, cheirosos, soltos ao vento.
Os espinhos pontiagudos, enfileirados, curvavam-se ao seu encanto, à sua magia e, com cumplicidade, a protegiam.
E o beija-flor?
Voou, voou...
Voltou à procura da rosa!
Enamorou-se, acariciou seu amor, arrepiou-se, deleitando-se no doce mel e no perfume da flor!
Cantou! E, cheio de fantasia, empinou o peito, sacudiu as asas, beijou a rosa e encheu-se de poesia.
Por Celso Lacerda, membro da ABL/Barreiras (BA)
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