 Celso Lacerda © Celso Lacerda/Arquivo pessoal |
O meu silêncio vale muito, enche-me de paz e tem tudo a ver com o barulho do outro! Parece até que eles — o silêncio e o barulho — combinam o momento em que vão entrar em cena.
Nesse instante, ao perceber esse desajuste que incomoda, paro, penso e, de imediato, sem explicações outras, tapo meus ouvidos: ensurdeço!
E, sem querer aceitar a zoada e com os olhos ainda abertos, permito-me sentir e ver, por alguns instantes, o gesticular do devaneio em coreografia gritante, sem precedentes.
Daí, após essa encenação descabida, vejo-me por dentro, mergulho em mim, silencio ainda mais e cerro os olhos suavemente. Respiro profundamente, como se estivesse voando nas asas do pássaro mais colorido e cantante, riscando alegremente o céu azul.
E, nessa plenitude de prazer que aflora dentro de mim, reflito sobre a beleza da paz, recolho-me nos braços acolhedores, leves e serenos de minha alma e viajo, amando-me, em busca de outros sonhos.
Por Celso Lacerda, membro da ABL/Barreiras (BA)
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