* * * * * *

Saia do Mundo que Aprisiona

22 de julho de 2026 às 17:59

pauta livre/pauta literária

Celso Lacerda © Celso Lacerda/Arquivo pessoal
Quem vive fechado no seu mundo, às vezes por opção, está acostumado com o que acontece nesse ambiente e, muitas vezes, tem medo de abrir a cortina que se movimenta a todo instante, recebendo o frescor do vento que, ora calmo, ora veloz, deixa, de relance, aparecer pequenas imagens que logo desaparecem na paisagem do outro lado.
 
Os dias vão passando, lentos como uma lesma que desfila sobre a folha verde, escorregando no seu próprio líquido e, sem nenhuma proteção, vai ao seu limite, até que, sem esperar, é consumida por algo mais atraente, sem lhe dar a possibilidade de sonhar.
 
Fico imaginando que o clarão que desponta além do nosso olhar traz uma infinidade de possibilidades grandiosas que tocam e enriquecem a alma. A natureza, com sua bondade, oferece maravilhas para a contemplação: as águas cristalinas que escorrem, abrindo caminhos para o mar, numa entrega que parece querer sentir o sabor amoroso do sal. O mar, de prontidão, aguarda a doçura das águas para temperar a sua razão de ser. As árvores frondosas balançam suas folhas numa dança espetacular, enfeitando a terra com flores e frutos.
 
Com tanta beleza diante dos nossos olhos, como podemos permanecer presos num mundo cercado por uma cadeia construída pela própria pessoa? Sem motivação, muitos usam as próprias algemas, vendam os olhos e ouvem apenas aquilo que alimenta o seu próprio umbigo. Sem interagir com os outros, mergulham num mar sem volta.
 
Enquanto isso, lá fora, alguém espera que essa pessoa quebre as algemas, deixe de vendar os olhos, derrube a cortina que a impede de sonhar e siga em direção ao sol, que derrama luzes cheias de reflexões no horizonte do amor, de braços abertos e repletos de afagos para acolher quem decidiu sonhar.
 
Infelizmente, há pessoas que fecham a janela para não ver o mundo e, sem perceber, acabam fechando também a alma para os próprios sonhos. Com a libertação da alma, rompem-se as próprias algemas, e a alma descobre que o mundo era muito maior do que imaginava.
 
Por Celso Lacerda, membro da ABL/Barreiras (BA)
Direitos autorais: Lei nº 9.610/98