 Celso Lacerda © Celso Lacerda/Arquivo pessoal |
Há quem diga que a amizade acontece do nada, como se fosse algo que se encontrasse numa prateleira. Mas o que se percebe é que ela acontece de um todo e de um tudo. Desponta com traços de ingenuidade, faz uma caminhada em busca de uma cumplicidade transformada em respeito, aceitação e carinho. E, aos poucos, vai adquirindo confiança. É como algo especial que vai sendo filtrado pela alma — é um passar pelo funil, por uma fenda que se abre lentamente, ganhando força pelos indicadores da pureza.
A amizade penetra na alma como se ela fosse uma grande escada e, à medida que atinge cada degrau distraidamente, sem cobranças, vai conquistando o outro, abrindo brechas e se deparando com muito carinho.
Um dos primeiros passos para que uma amizade desabroche é a atitude, é o querer compartilhar com alguém momentos agradáveis. O olhar — esse comunicador ímpar, que não é falso nem para o próprio corpo — não fala, mas reflete um brilho sem igual, uma aceitação holística percorrendo a auréola do outro.
A amizade se relaciona com vários fatores, indo desde um vazio na alma até uma plenitude de prazeres. O momento em que a gente percebe que a amizade já está instalada é quando surgem as lembranças, a falta, o querer estar junto. Em pequeninas coisas, a gente se faz presente na vida do outro. É como se o outro representasse um pedaço que está lhe faltando. Um sorriso, um toque, um aperto de mão, uma conversa, um fuxico e um compartilhar que os completam, fazendo com que a vida se torne mais agradável. É o sentir-se bem junto ao outro e, quando distante, sentir uma grande saudade.
A amizade tem cumplicidade, respeito, aceita as diferenças — mesmo que essas estejam diante dos olhos. A amizade é tão forte que chega até a mudar comportamentos e atitudes, cria entusiasmo e estabelece um contrato sem assinaturas, sem cobranças — e, se há alguma cobrança, é a vontade de estar sempre ao lado do outro.
A amizade, mesmo sendo essa interferência recíproca entre a objetividade e a subjetividade, tem sempre em sua essência relações de solidariedade, afeição, estima e superação das adversidades humanas.
Fazer e ter amizade é completar a nossa vida; é construir estrelas que, mesmo na escuridão e na distância, brilham e estão presentes. É a extensão da nossa felicidade!
Por Celso Lacerda, membro da ABL/Barreiras (BA)
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