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Palavras Escritas pela Alma

16 de julho de 2026 às 17:05

pauta livre/pauta literária

Celso Lacerda © Celso Lacerda/Arquivo pessoal
Há escritores que dominam as palavras. Outros são dominados por elas. Eu converso com as palavras como quem conversa com velhos e queridos amigos, na busca de abrigo para poder sonhar.
 
A alma, inquieta, por alguns instantes sai do corpo, vagueia ao meu redor, brinca com o meu pensar, que permanece atento à essência que baila suavemente no ar. Depois desse respirar na natureza, retorna carinhosamente à minha mente e enche o meu corpo de sensações amorosas, dando-me o prazer de viver em sintonia com uma emoção temperada de paixão.
 
Talvez por isso meus poemas, na sua simplicidade e grandeza, toquem sensivelmente o coração, despertem sentimentos, tenham cheiro de lembrança, perfume de recordações, sabor de infância e o silêncio sereno de uma alma que nunca deixou de acreditar na beleza da vida.
 
A sensação de escrever meus textos não deixa de ser uma unção que vem da minha alma, percorre o meu corpo e o meu pensar, na busca de preservar o que escrevo para que o tempo não leve embora aquilo que a alma escolheu guardar.
 
Não escrevo para que minhas palavras sejam lembradas. Escrevo para que a minha alma não esqueça aquilo que viveu.
 
Há poemas que consolam. Outros aconselham. Procuro compreender-me entre essas duas possibilidades e, respeitando cada momento, vou fazendo as duas coisas ao mesmo tempo.
 
Também há escritores que inventam histórias. Há poetas que revelam sentimentos. Com isso, busco transformar a memória em paisagem e a paisagem em morada da alma. Que a alma veja a beleza onde muitos já não olham, escute o silêncio onde muitos só ouvem ruídos e encontre poesia onde a vida parece apenas passar.
 
A poesia nos massageia através do coração e, como um manto sagrado, abençoa a vida. É necessário ter o cuidado de limpar o vidro da janela sem alterar a paisagem que está do outro lado. Paisagem essa cheia de cores, aromas e bondades, que se debruça sobre as mentes em consonância com a alma, fazendo escorrer um mar de rosas perfumadas, entranhadas na alma.
 
Por Celso Lacerda, membro da ABL/Barreiras (BA)
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