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Alma de Poeta

01 de julho de 2026 às 16:30

pauta livre/pauta literária

Celso Lacerda © Celso Lacerda/Arquivo pessoal
A alma não grita.
 
Ela sinaliza suavemente e vai ao encontro das coisas envolvidas e ofertadas pela beleza da natureza. Ao tocá-las, traz para dentro de si emoções cheias de sintonia, que percorrem a mente como se já estivessem à espera.
 
Parece uma fonte de águas cristalinas que brota silenciosamente, evapora no ar e contamina outros desejos, a ponto de se perder em espaços amorosos e se encontrar em corações apaixonados, que a acolhem carinhosamente em braços e enlaces de amor.
 
E os poetas são aqueles que, mesmo adormecidos no sonhar, conseguem sentir e enxergar claramente esses sinais. Sinais que cutucam a mente e pedem o direito de nascer livremente, colar na alma e inspirar amor, fantasia, paixão e encantamento.
 
Antes que desapareçam no horizonte ou se percam na imensidão do infinito, os poetas os recolhem e os transformam em palavras, permitindo que a alma continue falando através da poesia.
 
Interessante é o poder da alma para quem se torna seu parceiro, pois há momentos em que ela se aproxima de uma flor, de um pássaro, de um ninho, de um clarão, de uma escuridão, do silêncio de um crepúsculo, de uma tarde ou do brilho discreto de uma estrela. E, sem que ninguém perceba, recolhe pequenos fragmentos de beleza, guardando-os como tesouros invisíveis.
 
Mais tarde, quando o coração transborda de sentimentos, esses fragmentos ressurgem suavemente transformados em versos, como se a própria natureza tivesse encontrado um jeito de escrever poesia através do poeta.
 
Talvez por isso o poeta caminhe tantas vezes distraído pelos caminhos da vida. Enquanto muitos enxergam apenas a paisagem, ele percebe os sinais escondidos entre as folhas, o sussurro do vento, a lágrima contida, o sorriso tímido, o despercebido e até a saudade que repousa silenciosamente no olhar de alguém.
 
Sua alma recolhe tudo isso, alimenta-se dessas experiências e, mais tarde, no leito do pensar, devolve ao mundo tal sabedoria em forma de poesia.
 
Também é como se algo a beliscasse suavemente e fizesse sementes adormecidas florescerem dentro do coração. Então a poesia acorda, abre suas asas e segue serena o seu voo, levando consigo tudo aquilo que a alma não conseguiu guardar em silêncio.
 
Por Celso Lacerda, membro da ABL/Barreiras (BA)
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