 ABLiano Celso Lacerda © Celso Lacerda/Arquivo pessoal |
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Perdi um pouco de mim.
Sinto falta de coisas e pessoas com as quais um dia convivi.
Lembranças pela metade
apertam o peito e, meio sem jeito, mergulho no sonhar.
Procurei-me em algum lugar; não me encontrei.
Chorei.
Contemplei o vazio:
era oco, sem eco.
Enchi-me de saudade...
Adormeci, mas acordei
nos braços da insônia, que não me deixou dormir.
O silêncio foi engolido por um barulho que partiu.
A estrela, lá no céu, queria iluminar e, aos poucos, perdia o brilho, o piscar...
Sua tristeza juntei ao meu olhar.
Uma lágrima salgada
escorre lentamente pelo rosto e se perde na pele,
deixando marca e gosto.
Sentir-se só é terrível:
é ver uma canção escrita sem vida, porque ninguém a cantou.
É deixar uma flauta sobre a mesa sombria, precisando de alguém para lhe dar o sopro da melodia.
Mas não vivo só, porque tenho você."
Por Celso Lacerda, membro da ABL/Barreiras (BA)
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