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Ciclo menstrual não interfere no desempenho cognitivo, indica estudo

14 de março de 2026 às 12:11

saúde/agência einstein
As oscilações hormonais do ciclo menstrual não comprometem nem potencializam as habilidades cognitivas femininas, como memória, atenção, criatividade e raciocínio. É o que aponta um estudo publicado na revista científica PLOS ONE.
 

© Reprodução/Agência Einstein

Revisão de mais de 100 pesquisas
não encontrou evidências de que oscilações hormonais afetam memória, atenção
ou criatividade das mulheres

Para avaliar o desempenho cognitivo ao longo do ciclo menstrual, pesquisadores da Austrália, de Singapura e dos Estados Unidos realizaram uma ampla revisão da literatura científica, reunindo dados de 102 estudos, que envolveram quase 4 mil mulheres submetidas a testes cognitivos em distintos momentos do ciclo.
 
As avaliações incluíram múltiplos domínios, como atenção, funções executivas, inteligência, habilidades motoras, criatividade e capacidades verbais e espaciais. Não houve evidências de mudanças na habilidade cognitiva ao longo do mês.
 
A constatação tem impacto direto em debates sobre desempenho profissional, produtividade e equidade de gênero. "Infelizmente, ainda há um estigma de que as oscilações hormonais impactam as capacidades da mulher", diz a ginecologista e obstetra Ana Paula Beck, do Einstein Hospital Israelita. Segundo os autores, a pesquisa também tem implicações para a justiça social, ao desmontar argumentos usados para sustentar comentários ou práticas discriminatórias.
 
No entanto, eles reconhecem algumas limitações: os estudos avaliados não têm uma padronização, inclusive na forma como as mulheres foram avaliadas, e muitos foram feitos com amostras pequenas. Além disso, a maioria foi realizada em países desenvolvidos, onde há maior acesso a educação, higiene e boa nutrição, o que poderia moderar os efeitos.
 
Por isso, os pesquisadores sugerem a necessidade de mais estudos sobre o tema, usando dosagens hormonais para confirmar cada fase do ciclo, bem como maior diversidade de mulheres nas amostras e levando em conta fatores como idade, uso de contraceptivos, gravidez, proximidade da menarca (primeira menstruação) e da perimenopausa.
 
Por Gabriela Cupani, da Agência Einstein