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Solidariedade ao primo Carlos e ao povo do Rio de Janeiro*

29 de October de 2025 às 17:56

pauta livre
A trágica operação do governo do Rio de Janeiro, realizada ontem sob o pretexto de combater o narcotráfico, revelou mais uma vez o grau de desumanidade e amadorismo com que a segurança pública vem sendo tratada no estado. O resultado foi um massacre. O próprio Fórum Brasileiro de Segurança Pública, assim como pesquisadores e especialistas como Bruno Paes Manso, Luís Eduardo Soares e Julita Lemgruber, foram categóricos: nenhuma ação dessa natureza pode ocorrer sem a coordenação dos órgãos federais, como o Ministério da Justiça e a Polícia Federal.
 

Corpos de vítimas foram enfileirados por moradores na Penha, no Rio
| Foto: Tomaz Silva/Agência Brasil
 
O governador Cláudio Castro (PL) foi, no mínimo, irresponsável ao autorizar uma operação que já soma mais de 60 mortos — número que pode ultrapassar 100. Entre as vítimas, há também policiais. O que se vê é o povo das favelas e comunidades mais uma vez sem paz, vivendo sob o terror de uma política que aposta apenas no confronto armado, no banho de sangue como resposta aos problemas sociais.
 
O governo de Castro demonstra ser incapaz de oferecer políticas públicas eficazes para as periferias. O que resta é a necropolítica — a política da morte — que escolhe quem pode viver e quem deve morrer. Ao agir assim, o governador tenta seguir a lógica bélica de líderes como Benjamin Netanyahu, que hoje comanda o maior massacre da história recente na Faixa de Gaza. Mas o Rio de Janeiro não é Gaza, e transformar nossas comunidades em zonas de guerra é um erro trágico que atinge principalmente o povo negro e pobre, cujas casas são invadidas, aulas suspensas e rotinas destruídas.
 
Essas pessoas perdem o direito de viver com dignidade e ainda carregam as marcas psicológicas da violência estatal. Nenhum governo estadual pode enfrentar sozinho o problema da segurança pública. É urgente a aprovação da PEC da Segurança, que integra União, Estados e Municípios em uma política nacional de combate à violência. Somente com inteligência, controle de fronteiras, cadastro nacional de criminosos e um centro unificado de formação policial será possível iniciar uma mudança real.
 
Transformar o Rio em um campo de guerra não é política de segurança — é fracasso de Estado. Nosso abraço solidário ao primo Carlos e a todas as famílias atingidas por essa barbárie. Força, irmão. Estamos contigo, em oração e esperança, para que essa violência cesse e o povo volte a viver com paz e dignidade.
 
Por Ivandilson Miranda Silva, doutor em Educação e Contemporaneidade pela Universidade do Estado da Bahia (UNEB)
*O primo Carlos é um amigo do Rio de Janeiro que é questionador dessa política de sangue.