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Agentes da 'Abin paralela' falavam em usar espionagem ilegal para "explodir" adversários de Bolsonaro

11 de julho de 2024 às 13:05

polícia federal/operação
Documentos que embasaram a quarta fase da Operação Última Milha, deflagrada nesta quinta-feira (11) pela Polícia Federal (PF) com o objetivo de desarticular uma organização criminosa voltada ao monitoramento ilegal de autoridades e à produção de notícias falsas contra criticos e opositores do governo Jair Bolsonaro (PL), revelam que os agentes envolvidos no esquema falavam em “explodir” adversários políticos. A operação desta quinta-feira contou com cinco mandados de prisão preventiva e sete de busca e apreensão expedidos pelo Supremo Tribunal Federal (STF).
 

Foto: Tânia Rêgo/Agência Brasil/Reprodução

Esquema de espionagem ilegal monitorou
membros dos três poderes, jornalistas escritórios
de advocacia e adversários políticos do
ex-presidente Jair Bolsonaro
 
Segundo a coluna da jornalista Daniela Lima, do g1, o ex-presidente da Câmara, Rodrigo Maia, foi um dos alvos da vigilância ilegal feita pelos ex-integrantes da Abin. Além dele, foram monitorados escritórios de advocacia, deputados, senadores e outros adversários políticos ligados à Esplanada dos Ministérios. Nota da Polícia Federal informa que "membros dos três poderes e jornalistas foram alvos de ações do grupo, incluindo a criação de perfis falsos e a divulgação de informações sabidamente falsas. A organização criminosa também acessou ilegalmente computadores, aparelhos de telefonia e infraestrutura de telecomunicações para monitorar pessoas e agentes públicos".
 
Entre os alvos de mandados de prisão, o militar Giancarlos Gomes Rodrigues, que atuava na Abin, foi flagrado discutindo o monitoramento de um advogado próximo a Maia com seu superior: "vou verificar aqui, mas acho que foi no final do ano passado. Eu estava monitorando e o tel [SIC] dele dava várias vezes na área do Bertholdo". Advogado do Paraná, Roberto Bertholdo foi mencionado diversas vezes nas investigações.
 
Na Abin, Bertholdo era visto como aliado de Maia e da ex-deputada Joice Hasselmann. O delegado da PF Marcelo Bormevet, chefe de Rodrigues e que também foi preso na operação desta quinta-feira, respondeu: "excelente isto, Meu amigo. Vamos ver se conseguimos explodir esse vagabundo que está num DAS-5", referindo-se à sigla de um cargo de confiança no governo.
 
Veja a lista de ministros do STF, deputados, senadores e jornalistas espionados pela 'Abin paralela'
 
A Operação Última Milha revelou que diversas figuras importantes dos três poderes, além de jornalistas, foram monitoradas. No Poder Judiciário, os ministros do STF Alexandre de Moraes, Dias Toffoli, Luís Roberto Barroso e Luiz Fux foram alvo das investigações. No Poder Legislativo, foram monitorados o atual presidente da Câmara dos Deputados, Arthur Lira, o deputado Kim Kataguiri e os ex-deputados Rodrigo Maia e Joice Hasselmann, além dos senadores Alessandro Vieira, Omar Aziz, Renan Calheiros e Randolfe Rodrigues, que integravam a CPI da Covid no Senado.
 
No Poder Executivo, as investigações apontaram para o monitoramento do ex-governador de São Paulo, João Doria, e servidores do Ibama, Hugo Ferreira Netto Loss e Roberto Cabral Borges. Também foram monitorados os auditores da Receita Federal do Brasil Christiano José Paes Leme Botelho, Cleber Homen da Silva e José Pereira de Barros Neto.
 
Os jornalistas Monica Bergamo, Vera Magalhães, Luiza Alves Bandeira e Pedro Cesar Batista também estiveram sob vigilância, conforme as investigações da Polícia Federal.
 
Através de diálogos interceptados entre os investigados Giancarlo Rodrigues e Marcelo Bormevet, a PF identificou "possíveis ações clandestinas" que tinham como alvo os ministros Alexandre de Moraes e Luís Roberto Barroso. Essas ações tinham o objetivo de levantar suspeitas sobre a credibilidade do sistema eleitoral brasileiro, o que levanta preocupações sobre a integridade das instituições democráticas.