A independência da Bahia é um marco significativo na história do Brasil comemorado com fervor e orgulho por muitos baianos. No entanto, para mim, esse sentimento é mais complexo e multifacetado. Nasci na região que hoje chamamos de Oeste Baiano, uma terra com uma trajetória histórica rica e diversa, que não se encaixa facilmente nas narrativas tradicionais sobre a Bahia.

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Historicamente, o Oeste Baiano fazia parte da Província de Pernambuco. Em 1826, foi anexado à Província de Minas Gerais devido à complexa política da época. Pernambuco, por não ter apoiado a Constituição de 1824, viu-se isolado politicamente. Minas Gerais, por sua vez, pouco se importou com a região desdenhando-a como "mal serve para criar gado". No entanto, em um episódio curioso e, talvez subestimado, o imperador Dom Pedro I visitou Salvador em 1827, num evento que poderia ser considerado como o "primeiro carnaval" da cidade devido à alegria e celebrações que marcaram a ocasião. Em 15 de julho daquele ano, por um Ato Provisório, ele transferiu a região, o Além São Francisco, para a Província da Bahia.
Com essa mudança, a região do Oeste Baiano foi incorporada à Bahia, mas essa transferência administrativa não mudou instantaneamente a identidade e o sentimento de pertencimento dos habitantes. Cresci em uma terra que carrega em si uma essência pernambucana através de suas raízes históricas e um pouquinho do espírito mineiro, que ainda reverbera em nossas tradições e modo de vida.
Por isso, quando o 2 de Julho, Dia da Independência da Bahia é celebrado, é um momento que, embora importante e digno de respeito não ressoa completamente com a minha identidade. Minha conexão é mais complexa e plural. Não me sinto um baiano no sentido convencional, pois trago em mim fragmentos de uma história que se estende além dos limites da Bahia, tocando Pernambuco e Minas Gerais.
Hoje, a região do Oeste Baiano, com sua rica herança cultural e histórica, merece ser reconhecida por sua singularidade. O 2 de Julho, a independência da Bahia, é sem dúvida, um capítulo crucial na história do estado e do país, mas para nós, do Oeste Baiano, é um dia que representa apenas uma parte de nossa complexa trajetória. Nossa verdadeira celebração está em reconhecer e honrar todas as influências que moldaram nossa identidade, tornando-nos um mosaico vibrante e único no coração do Brasil.
Por
Sid James, cidadão riachão-nevense