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O voto positivo, sem brigas nem ideologia

01 de July de 2026 às 18:04

O Brasil se aproxima de mais uma eleição decisiva. Milhões de eleitores serão chamados às urnas para escolher presidente da República, governadores, senadores, deputados federais, estaduais e distritais. Mais do que uma simples disputa por cargos, trata-se de uma oportunidade para definir os rumos do país e exigir dos candidatos compromisso real com a população.
 
Do ponto de vista democrático, a eleição deveria ser o momento em que os eleitores escolhem, entre os postulantes, aqueles que melhor possam representar e defender os interesses da comunidade. Para isso, seria indispensável que as campanhas se desenvolvessem em um campo positivo, com propostas claras, programas objetivos e respeito ao cidadão.
 
Os candidatos deveriam apresentar seus planos de governo dizendo, com transparência, tudo aquilo que pretendem realizar para conquistar legitimamente o voto dos eleitores, sem recorrer a sofismas, ataques vazios ou outros meios destinados a iludir e enganar. Já os eleitores deveriam votar de acordo com esses planos, escolhendo o candidato que realmente pudesse atender aos interesses da sociedade, sem decidir apenas por ideologia, paixão partidária ou rejeição pessoal. Só assim poderemos elevar o Brasil ao patamar de desenvolvimento que tanto almejamos, pois somente o voto consciente constrói uma nação melhor. Quando se vota errado, toda a sociedade paga por esse erro.
 
Infelizmente, o que se vê com frequência é o contrário. Em vez de apresentarem soluções para os problemas nacionais, muitos candidatos preferem transformar a campanha em uma arena de agressões, acusações e ameaças. O adversário deixa de ser alguém a ser vencido pelas ideias e passa a ser tratado como inimigo. Esse tipo de disputa empobrece o debate público e afasta o eleitor daquilo que realmente importa: saúde, educação, segurança, emprego, desenvolvimento econômico, responsabilidade fiscal e respeito às instituições.
 
A República Brasileira vive aos trancos desde sua proclamação, em 1889. O primeiro presidente, marechal Deodoro da Fonseca, enfrentou grave crise política e acabou renunciando antes do término de seu governo. Depois vieram outros períodos de instabilidade, a Revolução de 1930, o longo ciclo de Getúlio Vargas, o movimento de 1964, a redemocratização a partir de 1985 e a Constituição de 1988, que estruturou as bases do regime político atual. Ao longo desse percurso, direita e esquerda se digladiaram repetidas vezes, mas nem sempre contribuíram para o avanço efetivo da sociedade.
 
Hoje, a polarização política tornou-se um dos maiores obstáculos ao amadurecimento nacional. A existência de muitos partidos, interesses fragmentados e discursos radicais produz a sensação de que há mais disputa pelo poder do que compromisso com o país. Nesse ambiente, a ideologia muitas vezes substitui o plano de governo; a militância toma o lugar da razão; e o eleitor, em vez de avaliar propostas, passa a escolher lados.
 
Nada deve impedir que cada político tenha sua visão de mundo. A ideologia faz parte da democracia. O problema surge quando ela se coloca acima do interesse público. Antes de serem representantes de um campo político, os candidatos devem ser servidores da população. Precisam apresentar programas viáveis, explicar como pretendem enfrentar os problemas nacionais e demonstrar capacidade de governar ou legislar em benefício dos brasileiros.
 
O desejável seria que os eleitores rejeitassem campanhas baseadas em desavenças e escolhessem os próximos ocupantes dos cargos públicos por critérios positivos: competência, honestidade, preparo, equilíbrio e compromisso com resultados. Em síntese, que votassem em quem possa governar e legislar com responsabilidade, e não apenas em quem grita mais alto ou ataca melhor o adversário.
 
Os princípios democráticos indicam que o verdadeiro dono dos cargos públicos é o povo. Presidente, governadores, senadores, deputados e demais representantes apenas exercem, temporariamente, uma função concedida pelo eleitor. Por isso, a maturidade política do Brasil depende de um povo que conheça seus direitos, cobre seus representantes e não abra mão de escolher com consciência.
 
Razões ideológicas extremadas, grupos de pressão e divisões artificiais da força popular só podem conduzir ao caos. A história da República está aí como testemunha. Se quisermos um país mais sério, justo e desenvolvido, será preciso abandonar a eleição movida pela raiva e fortalecer o voto positivo: aquele baseado em propostas, responsabilidade e compromisso verdadeiro com o Brasil.
 

Por Tenente Dirceu Cardoso Gonçalves - dirigente da ASPOMIL (Associação de Assist. Social dos Policiais Militares de São Paulo)